sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ativismo na internet: prós e contras


A petição para o impeachment de Renan Calheiros está dando o que falar. Além do próprio questionamento levantado pelo movimento, uma série de outros temas vem sendo debatido - desde o ativismo de sofá até o real impacto das petições on-line.

As reflexões que farei aqui derivaram da leitura de um texto bastante interessante, enviado ao Consenso pelo Marcelo Ricci, e intitula-se “Pra que servem as petições online contra políticos corruptos?”, de autoria de Pedro Burgos. Dentre as diversas informações importantes, a que mais me chamou a atenção é a de que um nome, somado à um número de RG e à um e-mail não substituem uma assinatura de próprio punho. Nada garante que na lista constam somente nomes e RGs verdadeiros, ou então que tenham sido adicionados nomes e RGs reais, porém sem o conhecimento da pessoa dona desses dados. Apenas uma certificação digital complexa garantiria certo grau de confiança.

Dessa forma, como também diz Pedro Burgos, petições on-line possuem um caráter muito mais de pressão ideológica e social que de valor legal e jurídico. As petições espalham a indignação nas redes, aumentam a pressão na política e engajam mais pessoas a se ligarem no que está acontecendo, as afastando da alienação. Elas também mostram aos políticos qual a vontade de uma parcela da população, direcionando suas ações, projetos de leis e votos em câmara nesse sentido (afinal, 1,5 milhão de possíveis eleitores é um número expressivo). E, por último, elas ecoam nas mídias, criando um efeito dominó. O mais importante, no fim, é ser consciente de que assinar uma petição on-line é importante, mas não é suficiente.

Existe o questionamento de que petições on-line podem passar a impressão de que já fizemos o que poderia ser feito, e isso tira pessoas dos movimentos nas ruas. Particularmente, eu discordo. Acredito que os ativistas não são os mesmos: ativistas de sofás são, em sua maioria, novos ativistas, gente que nunca participou de movimentos desse caráter e nunca foi às ruas; e os ativistas de rua são ou ativistas antigos, ou ativistas novos que não se acomodam apenas com ativismo de sofá.

Não exatamente com uma petição, mas a Primavera Árabe se iniciou através da indignação disseminada em rede. As petições podem ter esse papel: ainda no caso de Renan, diversos eventos já foram criados para manifestação nas ruas. E é aí que a coisa começa a tomar forma: as partes se completam e se alavancam, e o efeito começa a surtir.

Em suma, petições on-line devem continuar a existir, mas devem procurar serem o mais esclarecedoras possível, e devem convidar a não pararmos por aí. E nós, assinantes de tais petições, devemos ter a mente aberta pra perceber que aquilo pode não ser o fim, e nunca nos deixarmos acomodar por um sofá macio e confortável.

Fontes:




por Gabriel Falcini

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